Discos do ano – Attack on Memory

Publicado originalmente em 12/12/2012 @ MyCool

O Cloud Nothings é uma das poucas bandas de rock que fez um disco que curti nesse ano [mas não precisa querer me matar, pra resenhar discos de rock temos o Vignoli]. E isso levando em conta que o segundo álbum do projeto do jovem-ainda Dylan Baldi, Attack on Memory (CARPARK, 2012), leva uma penca de elementos que não me agradam esteticamente: vocais rasgados/gritados, crueza e sujeira – cruuuuuzes, uma garageira dos inferno –, só pra mencionar os principais. As referências do cara, basicamente enraizadas no punk e no rock alternativo dos anos 1990, também não são ~minha xícara de chá~.

Mesmo com tudo contra, a obra é tão carregada de verdade e substância que conseguiu atrair um cara que está cada vez mais imerso no maravilhozzo mundo da música eletrônica [caso você não tenha sacado, sou eu]. Em compensação, a estética dominante da metade final da última década que curtimos tanto – na qual bandas cansaram de misturar sintetizadores com um rock espertinho e “limpo” – já deu o que tinha que dar. Há quem ainda insista na fórmula datada, vendendo algo que soe “o que o indie supostamente é” por oportunismo mercadológico ou por falta de criatividade. E esse talvez tenha sido um dos principais trunfos de Baldi por aqui: o sopro de ar fresco que traz algo diferente do que ouvimos por tantos anos até enjoar; uma autenticidade REALMENTE autêntica.

Sim, os 90’s definitivamente estão de volta, seja no rock, na música eletrônica, na moda e nos manuais de instruções das boybands. O revivalismo do grunge já é uma realidade, assim como o da rave, e gostando ou não, são artistas como o Cloud Nothings e suas referências pré-Nirvanicas e pós-hardcorianas que podem “liderar”, com tantos outros, um novo padrão artístico daqui pra frente.

Fazem-se presentes no álbum o pessimismo, a dor, as distorções “barulhentas”, o [auto] desprezo, a rebelião adolescente [mesmo que amadurecida] e fatores que significam hoje a negação do indie: testosterona, agressividade, visceralidade, desleixo, rudimentariedade e o protagonismo das guitarras; tudo muito bem delineado pela excelente produção de Steve Albini. Por baixo de todo esse niilismo farpado, as melodias, as CANÇÕES estão lá, fazendo dos 33 minutos em oito faixas de Attack on Memory uma desgraceira das boas – gritante, crua e viva, como se seu protagonista tivesse se cortado todo pra provar que, de artificial, ele não tem nada.

Agora deixem eu voltar pros meus discos do Elton John que esses rock aí são tudo coisa de veado.

Disco: Attack on Memory

Artista: Cloud Nothings

Lançado em: 24 de janeiro de 2012

Selo: Carpark

Produtor: Steve Albini

Melhores faixas: Wasted Days, Stay Useless, Separation e Cut You.

Quando não ouvir: Quando estiver visitando a vovó.

Quando ouvir: Quando você estiver fodido, desempregado, sem futuro e com seu time na merda.

Pra quem gosta de: Japandroids, Fucked Up, Yuck, Nirvana, Sonic Youth e Fugazi.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s