Feliz aniversário, boa música!

Publicado originalmente em 10/05/2011 @ MyCool

Hoje, dia 10 de maio, é uma data especial: sabem quem acaba de completar um ano? Simplesmente o melhor disco de 2010! Olhaí que bonito! E não estou falando dos “Suburbs” do Arcade Fire, não. Bóra dar os parabéns pro “Total Life Forever”, caçula dos Foals – pais orgulhosos que, por sinal, andaram dando cria por aí.

“Total Life Forever” é uma obra de uma densidade e uma coerência há anos não vistas, em que se consegue visualizar as faixas de um Foals que manteve uma identidade construída no debut “Antidotes”, mas transformada em algo novo. A opinião está longe de ser apenas minha, já que o compacto teve grande aceitação de crítica e público. A revista britânica The Fly também elegeu a bolacha como a melhor da temporada. Além disso, foi o único álbum a colocar três canções na controversa lista das 50 melhores do ano da NME, levando o merecidíssimo primeiro lugar com Spanish Sahara — que também ganhou o prêmio de melhor canção de 2010 nos NME Awards. Ahhh, Spanish Sahara

Se isso não é suficiente, vem comigo que eu te mostro, faixa por faixa, vídeo por vídeo (as apresentações ao vivo são fantásticas), porque a homenagem é válida:

Blue Blood – Aqui o Foals, com suas tradicionais guitarras “start/stop”, vai progressivamente criando o clima para te mostrar a metamorfose da banda e a viagem de 50 minutos que está por vir. A canção vai se tornando intensa ao adquirir mais elementos, característica presente em momentos certeiros do LP.

Miami – Para quem era habituado a um Foals super acelerado, Miami pode ter sido um choque. A faixa é a mais lenta – mas não menos dançante – da banda, com uma batida que nos remete a um hip hop banhado em afrobeat.

Total Life Forever – A faixa título apresenta as guitarras de math rock do Foals convergindo em grooves, conduzidos por uma voz reverberada e quase soturna de Yannis Philippakis em contraste com notas agudas de sintetizador.  A canção representa uma dubiedade característica do disco, que transita entre o “down” e o “up”. Ao vivo é ainda mais incrível.

Black Gold – Uma odisseia fantástica de seis minutos e meio de duração. Uma das canções do ano, mas daquelas que leva certo tempo para se digerir, assim como o álbum todo em geral. Aqui a densidade mencionada anteriormente é visualizada mais do que nunca: o reverb presente em guitarras aquosas (oi Bloc Party) e synths é tão intenso que se você fechar os olhos será possível se enxergar imerso em sete mil léguas submarinas (e veja a capa do CD). Talvez seja a canção termômetro, a que melhor represente a obra por completo. É a favorita do Yannis.

Spanish Sahara – Palavras nunca vão ser boas o suficiente para ela – pelo menos eu não me atrevo. Apenas pare, feche os olhos e escute. Se teus glóbulos oculares não encherem d’água no final, procure um psiquiatra.

This Orient – Se você sobrevive às últimas duas, não vai resistir ao golpe final: começando com uma colagem de múltiplas vozes (o “start/stop” dessa vez em vocais) que irrompem em uma batida pulsante e a melodia mais romântica do conjunto, This Orient vem pra completar a tríade das três melhores canções de “Total Life Forever” em sequência. “It’s your heart that gives you this western feeling”. Pode chorar vai, a gente não conta pra ninguém.

Fugue – Interlúdio. São 49 segundos para se recompor depois da tríade que acabou contigo.

After Glow – O terceiro ato (a tríade seria o segundo, eu imagino) do disco começa mais intenso. Alterna entre a calmaria e a tempestade e, em seu ápice (aqui Yannis lembra Blaine Harrison do Mystery Jets), temos o espelho para o passado: o dance-punk do “Antidotes” revive.

Alabaster – Canção linda, linda, linda, linda, linda. A reverberação aqui nos transporta para uma sala vasta e vazia, repleta apenas de luzes brancas. Os afrobeats ressurgem acompanhados por backing vocals que cantam em coro: “Run, Run Away, Run!” após Philippakis afirmar :“She’s up in the sky, and the sky is on fire”.

2 Trees – Quase como se Johnny Greenwood e Russel Lissack tocassem juntos: uma base de guitarra e sintetizadores a lá Radiohead-In-Rainbows conversam com guitarras do Bloc Party enquanto o novo falsete adquirido por Yannis vai te levando pouco a pouco a superfície. Você emerge das profundezas do oceano para, agora, flutuar em direção ao espaço.

What Remains – Título autoexplicativo. What Remains se trata, literalmente, do que resta a ser dito, e feito, depois de três atos de viagem por luzes e escuridão. O Foals conclui semeando uma nova experiência dentro do seu corpo. Se você permitir, essa semente cresce de uma maneira fantástica. Porém, assim como as obras do Radiohead, Total Life Forever é para ser usufruído com cautela e sabedoria.

BONUS: Spanish Sahara feat. London Contemporary Orchestra

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